March 2012
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Tudo o que vive quer viver. Tudo aquilo que existe possui uma existêntica independente ao mesmo tempo que possui uma existência dependente. Nossas ideias emergem de nosso intelecto, de nossa individualidade, desse sistema complexo que monta a nossa individualidade. Mas ao mesmo passo que essas ideias são dependentes e pertencentes a esse sistema, são elas também entidades independentes que, por si só, querem viver e crescer no mundo. Crescei e multiplicái-vos. Essa é a ordem da vida.
Refinar nosso sistema para ser canal de expressão de ideias infinitas que tendem à vida infinita. Essa é a busca por perfeição, a natureza do o próprio sistema Vida.
Cultura é regra, arte é exceção. A cultura devora a arte. Mas a arte se multiplica quando serve à cultura (vide bauhaus, vide minimalismo, vide pop-arte) e por vir da exceção enobrece a cultura, evolui a cultura. Esse é o papel da arte, refinar a cultura para que ela como um todo promova a ‘arte de viver’ que é em si a fonte de toda a arte e a sua finalidade. A arte surge da vontade humana de consolidar, tangibilizar a ‘arte de viver’; esse viver inspirado, onde a própria vida se reconhece como existindo; seja através do sofrimento ou do êxtase. Seja através da dor ou do amor. A arte serve para lembrar-nos de que estamos vivos; e nos convidar a fazer algo com isso.
flamas em flâmulas, cabelos, escamas,
todo movimento abre-se em momento
todo retorcendo, sombrio
volta-se ao centro
em luz, toque da chama
ao revés do universo, conclama
o nome de tudo que ama
é abertura que magnetiza
é o chamado minúsculo da brisa
e de mil gulhos do fogo
que constróem assim o fractal eterno do jogo
e na teia dos mil mundos da vista
arranha no deserto do desejo uma pista
algo que indica o já indicado
uma insígnia antiga sem predicado
é como flecha que fecha sem mostrar o lado
e assim a tudo orienta
mesmo o já orientado