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April 2012

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Apr 14, 2012
#jardineiro
“O que e o capitalismo a nao ser uma engenhosa maquina psicolcutural que nos leva a querer viver os vicios dos outros?” —
Apr 10, 2012
Apr 9, 2012164 notes
A inversao do Capital.

No fim, na ponta, de todo o complexíssimo sistema capitalista existe um consumidor. No fim da cadeia, depois de processos de extracção, processos de produção, processos de distribuição, movimentação midiática, conflitos políticos, readequações sociais, reactividades culturais, o produto é consumido por um indivíduo humano. Toda essa intrincada ordem se destina a um corpo humano em necessidade fisiológica ou psicológica. Eu, no meu papel de pesquisador de cultura e mercado, ajo como uma câmera infravermelho na ponta desta lógica, analisando e, eventualmente, criando novas necessidades ou renovando antigas necessidades através da capa da cultura. Como um ser consciente de meus atos e cada vez mais consciente da influência deles no mundo exterior (económico, social e ecológico) tenho passado a me questionar qual deveria ser, de fato, o meu papel neste mundo para torná-lo um lugar autenticamente melhor. Não tenho essa resposta e, inclusive, posso estar distante dela; mas, por ora, tudo o que me vêm à cabeça é que o pensar sistémico se não for feito com real obstinação e desenrolado no longo prazo, pode se tornar muito mais paralisante do que um apoio para a evolução. Por isso, percebo que a mudança no mundo não vem apenas de um pensamento sistémico desenvolvido, mas antes de mais nada vem através daquilo que nos é mais simples: a consciência.

O que é consciência a não ser o lembrar constante de que estamos vivos? O que é o lembrar constante de que estamos vivos se não a atenção ao mundo objectivo que está em torno de nós? A percepção de que estamos presentes, de que respiramos, de que andamos e temos a liberdade de dar quantos passos quisermos em direcção ao que quisermos. Difícil, porém, parace ser saber o que se quer. Pois o que queremos não é nosso. O que queremos é o que a movimentação midiática, os conflitos políticos, as readequações sociais e as reactividades culturais querem que queiramos. Mas é na presença, é na manutenção da consciência de que estamos vivos que nasce a visão gradual que nos mostra o que verdadeiramente queremos. Pois quando estamos comendo a comida dos outros, bebendo a bebida dos outros, fumando o cigarro dos outros estamos perdendo aquilo que é nosso. E o que é o capitalismo a não ser uma engenhosa máquina psicolcutural que nos leva a querer viver os vícios dos outros? Sair do que somos e nos colocar na posição de insatisfação de sempre querer aquilo que não é nosso? É claro que esse conflito nasce de dentro do próprio homem, de dentro de nós mesmos. Mas a mim já está se fazendo claro: “Ou você trabalha para acentuar esse mundo de necessidades ou você trabalha para curar as feridas humanas que fazem nascer esse mundo de necessidades.” - eu estou mudando de uma lado para o outro. Este é o momento de vida pelo qual estou passando agora. E sinto que é o momento de transformação que parte de minha geração também tem passado.

Apr 4, 2012
#ensaio #capitalismo #mercado
“Fear not the strangeness you feel. The future must enter long before it happens. Just wait for the birth, for the hour of new clarity.” —Rainer Maria Rilke
Apr 2, 2012
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